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*** RPG *****

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351 Re: *** RPG ***** em Qui Dez 03, 2015 10:40 pm



Henry Clarence – 27 anos

Eu sabia que ele iria querer ir de carro, mas percebi o motivo de ter aceitado vir comigo na bicicleta. Tipo, é tão óbvio, qualquer um poderia perceber. Minha teoria apenas se confirmou quando ele me abraçou por trás, dizendo que era para não cair. Eu não acredito nisso, mas também não vou reclamar. De certa forma até que gosto disso. – Claro, eu acredito. – ri fraco, começando a pedalar para a minha casa. Sai pelos fundos e fui por um caminho vazio, já que se algum aluno ou até mesmo um professor visse essa cena não iria dar certo para mim com a diretora.
Enfim, depois de um tempo chegamos lá e eu desci da bicicleta com ele. Tranquei-a com uma corrente no poste e abri o portão – enferrujado –, dando passagem para Nicholas entrar. – Fique à vontade. – fechei o portão após nós entrarmos e fui até a porta. – Não é onde você está acostumado a viver, mas espero que não se incomode. – ri fraco, abrindo desta vez a porta e entrando na casa. Em pensar que eu já vivi em riquezas...

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352 Re: *** RPG ***** em Qui Dez 03, 2015 10:52 pm


Nicholas Mitchell — 18 anos
O caminho inteiro eu não desgrudei dele por um segundo, não só porque estava adorando ficar abraçado com ele, mas também porque eu estava morrendo de medo de cair. Eu acho que não andava de bicicleta desde pequeno, você tem noção de quanto tempo faz isso?!
Chegamos na casa dele e pude notar que era um lugar bem simples, mas não me importei com isso, até porque ele não teria condições de ter uma casa grande com o salário que os professores recebem. Uma pena, por isso que mal vejo a hora desse ano letivo acabar para eu poder, enfim, fazer faculdade e me tornar um jornalista. Como eu já disse para ele uma vez, quero conscientizar todos sobre os problemas que a sociedade passa, e o salário dos professores vai ser um deles. — Imagina, não vejo problema nenhum nisso. — Sorri, entrando com ele na casa e indo me sentar no sofá da sala. — Então, sobre o que iremos conversar?

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353 Re: *** RPG ***** em Qui Dez 03, 2015 11:18 pm



Henry Clarence – 27 anos

Sorri com a resposta dele – Ótimo. – fechei a porta atrás de Nicholas e caminhei com o mesmo até o sofá, sentando ao seu lado, mas não tão perto. – Oh, bem... – pensei um pouco sobre a sua pergunta. Realmente, sobre o que vamos conversar? – Ok, tem alguma coisa que você queria saber sobre mim? Pode perguntar. – apesar de que eu provavelmente não vá responder com tanta honestidade – Hoje você pode me conhecer melhor.

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354 Re: *** RPG ***** em Qui Dez 03, 2015 11:36 pm


Nicholas Mitchell — 18 anos
Nicholas me perguntou se havia algo que eu queria saber sobre ele, pois me responderia. Se não estivessemos num momento tão amigável como esse eu juro que soltaria alguma pergunta indecente, mas agora eu precisava me controlar um pouco. — Hmm... — Pensei muito e acabei me lembrando daquele dia que nos encontramos no bar, que ele estava se agarrando com aquele carinha (aliás, sorte a desse desconhecido de que não o encontrei na rua). Numa das conversas que rolou lá, eu acabei falando algo e ele pareceu ficar chateado. Quando perguntei o que foi, ele respondeu que era porque a tv dele tinha quebrado, mas é claro que não acreditei naquilo. Era hora de saber a verdade. — Naquele dia no bar, que você ficou triste e quando perguntei disse que era por causa da televisão, qual foi o verdadeiro motivo? Não me venha com essa de que é realmente a tv porque não vou acreditar.

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355 Re: *** RPG ***** em Qui Dez 03, 2015 11:54 pm



Henry Clarence – 27 anos

Fiquei esperando a pergunta dele com o pensamento de que seria algo fácil de responder, como: “Qual a sua comida favorita?”, porém o que ele me lembrou me deixou um pouco triste. Isso não é algo que eu goste de ficar trazendo como assunto, mas... Acho que posso contar isso para ele. – Bem... – suspirei fundo. – Eu tive um namorado que morreu. – pausei um pouco. – E eu que deveria ter morrido, não ele. – o encarei nos olhos. – É por isso que eu fiquei triste naquele dia. – expliquei, ainda um pouco para baixo. – A história é um pouco longa, mas... Basicamente, a culpa disso tudo é minha, apenas.

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356 Re: *** RPG ***** em Sex Dez 04, 2015 12:35 am


Nicholas Mitchell — 18 anos
Fiquei até me sentindo mal quando ele contou que teve um namorado que morreu. Eu nunca passei por isso (até porque a maioria dos meus namoros duraram um ou dois meses, nem dava tempo da pessoa morrer), mas deve ser realmente doloroso. — Nossa... Eu sinto muito — Disse, um tanto sem graça. Balancei a cabeça negativamente quando ele disse que deveria ter morrido no lugar dele e sem hesitar, o abracei. Aquela provavelmente era a terceira vez que nos abraçavamos no dia — Não fala assim... Eu não gostaria que você morresse... — Falei, me afastando do abraço em seguida. — Entendo... Mas não fique se culpando por isso. Seja qual for o modo que ele morreu, aposto que não foi por sua causa — Tentei consolar ele, mas não sou muito bom com isso. — Você não seria capaz de fazer nada de ruim pra alguém — Sorri, finalizando. Como eu estou bonzinho.

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357 Re: *** RPG ***** em Sex Dez 04, 2015 12:55 am



Henry Clarence – 27 anos

Dei um sorriso triste. – Obrigado... – suspirei, me surpreendendo com o abraço que veio depois. Apesar de não ter esperado isso, foi bom. – ... E eu não gostaria que ele tivesse morrido... – falei um pouco baixo, em seguida balançando a cabeça para tirar esses pensamentos da mente que apenas deixam o clima complicado. – É... Talvez... – abaixei a cabeça. Mesmo com o apoio dele, ainda me sinto culpado pelo acontecimento. De qualquer jeito, já aprendi a viver com isso e a não deixar esse fato me consumir. Eu tive culpa, sim, mas não posso me torturar para sempre.
Ao ouvir o que Nick disse apenas me fez sentir culpado, digo, eu estou fazendo um mal a ele agora ao usa-lo assim para obter seu dinheiro... Sinceramente? Que eu morra pobre, mas depois de conhece-lo não tem como aplicar um golpe desse nele. Talvez eu tenha criado afinidade, de qualquer jeito, não consigo machuca-lo desse jeito. – É... Talvez eu não consiga... – fui me aproximando de Nicholas, e lentamente levei uma mão para o rosto dele enquanto a outra me apoiava no sofá. Me aproximei tanto que não pude resistir e iniciei um beijo que logo foi se tornando em algo mais. Minha mão que antes me apoiava no sofá, agora estava na cintura do pequeno enquanto eu o deitava lentamente no sofá.

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358 Re: *** RPG ***** em Sex Dez 04, 2015 3:08 pm


Nicholas Mitchell — 18 anos
— Ninguém quer perder a pessoa que ama, mas só porque ele se foi não quer dizer que você tem que querer ter morrido no lugar dele — Falei, respondendo o que ele disse sobre não querer que o namorado dele tivesse morrido. Entendo que ele pode ainda estar sofrendo, mas falar essas coisas não vai adiantar nada.
Observei que ele começou a se aproximar então, e levou uma mão ao meu rosto. Ai. Minha. Florence, era a única coisa que eu pensava. Será que ele vai me..
ELE ME BEIJOU
ELE ME BEIJOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOU

Não tinha palavras para descrever o meu surto interno no momento em que ele me beijou. Claro que eu retribui, e logo ele estava me deitando no sofá. Eu nem conseguia acreditar, depois de tanto tempo, de tanta insistência eu FINALMENTE conseguiria fazer o que tanto queria com ele. Eu não podia perder tempo, e se resolvesse desistir como aquele dia na viagem? Levei minhas mãos até os botões da camisa dele, começando a desabotoá-los um por um, até que todos estivessem abertos. Após retirá-la completamente, acabei a jogando em qualquer canto na sala o qual eu nem prestei atenção porque estava ocupado demais com outras coisas, como por exemplo, passar minhas mãos naquele abdomen maravilhoso dele. Esse homem é simplesmente perfeito.

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359 Re: *** RPG ***** em Sex Dez 04, 2015 3:44 pm



Henry Clarence – 27 anos

Fazer isso nesse sofá não é uma coisa muito confortável, mas pela intensidade da situação eu não estou nem aí para isso.
Continuei a beija-lo, fazendo apenas pequenas pausas para respirar. Ajudei-o a tirar minha camisa e então me separei do beijo para tirar a dele, em seguida jogando em qualquer canto da sala. Voltei a beija-lo enquanto minhas mãos desciam pelo seu corpo até chegar à beira da calça, tirando-a lentamente. Eu sei que falei que seria apenas conversa, mas a vontade falou mais alto.

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360 Re: *** RPG ***** em Sex Dez 04, 2015 4:14 pm


Nicholas Mitchell — 18 anos
Meu deus, meu deus.
Melhor. Tarde. Da. Minha. Vida.
No momento eu e ele nos encontrámos no sofá, com um cobertor em cima de nós porque estava um pouco frio. Eu estava cansado(também né não é pra menos rsrsrsr), mas não me arrependia de absolutamente nada. Como esse homem é maravilhoso. Mal vejo a hora de contar para a vagabunda do David o que aconteceu. Minha vontade, aliás, era ligar para ele imediatamente, mas decidi esperar porque eu estava bem demais no sofá agarrado ao meeeeeeeu professor de filosofia. — Sabe o que eu acho? Que deveríamos fazer isso mais vezes. — Sugeri. Nick, sossega, vocês mal acabaram e já quer marcar para uma próxima vez?

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361 Re: *** RPG ***** em Sex Dez 04, 2015 4:33 pm



Mozart Zane – 38 anos

No caminho de volta para casa eu passei em uma loja de doce e comprei alguns pirulitos e chocolates para comer assistindo televisão quando estou com tédio. Enfim, eu pude perceber que Henry já estava lá por causa da sua bicicleta parada do lado do poste, e estranhei um pouco já que ele costuma chegar um pouco mais tarde, mas tudo bem. Deve ter ficado cansado e vindo para casa descansar.
Abri a porta já com um pirulito na boca e fui entrando – Hey, Hen... – quase tive um ataque do coração ao ver quem estava com ele ali. – Loy – acho que falei um pouco errado por causa do pirulito na minha boca. Tirei-o e tossi falso. – Oi. Vocês poderiam fazer o favor de COLOCAR ROUPAS? – me corrigi, virando de costas para não ver mais aquela cena. Sinceramente, o que ele estava pensando ao fazer isso sem me avisar? Eu quase o entreguei agora! Eu ia chama-lo de Henry na frente do garoto que acha que o nome dele é NICHOLAS! Meu deus...



Henry Clarence – 27 anos

Estou agora deitado no sofá com Nicholas abraçado a mim enquanto eu acaricio seu cabelo. Não vou negar, isso me faz sentir bem, sempre senti falta de momentos como esse. Ri fraco com o que ele disse. – Você acha, é? – sorri de canto, continuando a acariciar seu cabelo – Bom, quem sabe. – me fiz de difícil.
Arregalei os olhos quando o Mozzie abriu a porta e quase me entregou, me fazendo congelar achando que ele iria me chamar de Henry ali, na frente de Nicholas. Por sorte ele não disse nada por causa da surpresa de nos ver ali, pelados no sofá. – Ok, ok, desculpa. – me levantei e comecei a colocar minhas roupas. – Eu não sabia que você ia voltar tão cedo. – suspirei – Enfim, Mozzie, esse é o Nicholas. Nicholas, esse é o Mozzie. – apresentei os dois enquanto terminava de abotoar minha calça.

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362 Re: *** RPG ***** em Sex Dez 04, 2015 5:02 pm


Nicholas Mitchell — 18 anos
— Eu não acho, eu tenho certeza — Ri, parando e fazendo um pequeno bico quando ele disse "quem sabe'. — Não se faça de difícil! — Dei um tapa leve no braço dele. Nesse momento, um cara que eu nunca vi na vida entrou na casa, fazendo meus olhos se arregalarem um pouco. Ninguém mais bate na porta, não?  — Oh... — Eu murmurei, me lembrando que ainda estávamos sem roupa. Peguei minhas roupas que estavam no chão e as vesti rapidamente. Estava terminando de arrumar meu lindo cabelo quando Nicholas me apresentou para o cara que aparentemente se chamava Mozzie. — Olá, Mozzie — Cumprimentei, tentando parecer simpático. — Então, Nicholas... Acho que preciso ir embora agora. — Na verdade eu não queria ir embora, mas não aguentava mais esperar para contar ao David o que tinha acontecido.  

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363 Re: *** RPG ***** em Qua Dez 09, 2015 1:08 am


Chris J. Laurent — 20 anos
Eu não aguentava mais.
Essas últimas semanas têm sido as piores possíveis para mim. Eu realmente não sabia o que estava acontecendo comigo, mas eu sentia que simplesmente não tinha motivos para continuar. Eu não conseguia mais me alimentar corretamente, não ia para a escola e só conseguia ficar em minha cama deitado, chorando ou pensando no quão inútil eu tinha me tornado. Para piorar, minha mãe vivia brigando comigo e ajudando a jogar na cara que eu não sirvo para nada. Eu imaginava que talvez fosse por causa de uma decaída no meu transtorno ou quem sabe minha depressão estivesse voltando, mas eu estava decidido a continuar vivo.
Estava.
Me encontrava deitado em minha cama, como sempre, quando minha mãe adentrou meu quarto.
— Garoto, sai dessa cama. Você precisa ir comer alguma coisa. Pare de bancar o depressivo e crie vergonha na cara — Ela disse, parando em frente à minha cama. Eu me sentei e a encarei. Não queria brigar com ela agora, não estava em condições disso.
— Mãe... Por favor... Eu não estou com vontade. — Pedi, desviando o olhar. Ela suspirou, parecia estar com raiva de mim.
— Mas que droga, hein? O que está acontecendo agora com você? Vai tentar se matar de novo? — Ela perguntava. Eu não conseguia responder, mas era justamente isso que eu estava pensando mesmo. — Realmente, você deveria morrer mesmo. Você é um mal agradecido, Chris. Tem uma ótima família, uma casa gigante, nós te pagamos uma boa escola, e você ainda vem com essa de depressivo? Você precisa apanhar, isso sim. — É realmente ótimo ouvir isso da sua mãe. — Eu vou descer e em menos de cinco minutos te quero naquela sala. Eu juro, se não for, eu vou chamar seu pai aqui e o negócio vai ser um pouco diferente. — Ela se virou então e caminhou para fora do meu quarto, batendo a porta com força, mas ainda sim eu pude ouvir sua última frase. — Você deveria ter morrido no lugar do seu irmão. Ele não seria tão ingrato e não traria tanta vergonha pra essa família.
Aquilo foi o fim pra mim. Já não basta conviver com a constante culpa do seu irmão ter morrido por sua causa, agora ouvir isso? Sua mãe lhe desejando a morte?
Se é isso que ela tanto quer..
Me levantei e fui até a escrivaninha. Peguei a primeira folha de papel que encontrei e uma caneta. Se eu estava prestes a acabar com tudo, eu pelo menos deveria deixar algo para a única pessoa que acreditou em mim. A cada palavra que escrevia eu sentia um certo aperto no coração. Eu juro, eu não queria deixá-lo. Mas tem horas que você tem que dar um fim nisso.
Terminei de escrever e dobrei o papel, deixando-o em cima da minha escrivaninha. Depois, me levantei e caminhei até o banheiro do meu quarto. Deixei a banheira encher enquanto pegava alguns vidros de remédio e um estilete que encontrei num dos meus estojos.
De certa forma, eu me sentia feliz. Feliz por estar finalmente acabando com aquilo, feliz por finalmente poder me livrar de todo o ódio que meus pais sentiam por mim. Era como se eu estivesse pagando uma dívida com eles. Eu me sentia bem por isso.
Por outro lado, o fato de estar abandonando Josh de tal forma, sem ao menos dizer um último "eu te amo" me fazia ficar mal. Eu não podia morrer sem isso.
Peguei meu celular e digitei uma mensagem para ele. Talvez ele entendesse o que eu queria dizer com ela, mas talvez ele só realmente se ligasse quando soubesse que eu estava morto.
"Independente do que acontecer, eu te amo."
Enviei a mensagem tentando ao máximo não chorar. Agora eu precisava ser rápido antes que alguém viesse para o meu quarto e novamente me impedisse. Retirei meus sapatos e entrei na banheira, sem me importar se iria molhar minhas roupas ou não. Despejei diversos comprimidos na minha mão e os tomei de uma vez, mas ainda sim não era o final. Talvez eles não me matassem de imediato. Joguei o pote do lado da banheira e levantei a manga da minha camiseta, já totalmente molhada e coloquei o estilete em direção ao meu pulso. Hesitei por um momento, fechando os olhos e respirando fundo. Um pequeno medo me fazia querer parar.
Tudo isso vai acabar..
E com esse pensamento, cortei toda a extensão do meu pulso na vertical. O sangue começou a escorrer do meu braço para a lateral da banheira, deixando a água numa coloração avermelhada. Logo minha visão começou a escurecer, cada vez mais, até que enfim, nenhum sinal de pulsação tivesse no meu corpo. Eu estava morto.

Hey, Josh.
Esta provavelmente é a última vez que estou me comunicando com você. Não pense que estarei brigando ou te culpando pelo que fiz, muito pelo contrário. Eu só estou escrevendo isso para te mostrar nossa trajetória no meu ponto de vista, do nosso início até o fim.
Nos conhecemos no primeiro dia de aula, naquela aula de educação física. Enquanto eu me escondia para que ninguém me visse e me acertasse, você ia logo para o meio do jogo. Confesso que não tinha te reparado muito até o momento em que eu tropecei em meu próprio pé e fui de cara pro chão. Enquanto todos riam do garoto idiota que conseguia provocar o próprio tombo, você estava lá para me ajudar. Aliás, me desculpe por mal ter dito obrigado; eu estava me sentindo um pouco envergonhado e irritado por ter caído. Acho que já sabe que não sou uma das pessoas mais simpáticas do mundo quando estou bravo.
Então você foi queimado e quis arrumar briga com o cara. Eu, obviamente, me retirei de perto e voltei ao jogo como se nada tivesse acontecido. Quer dizer, eu quis voltar. Graças à sua gigantesca vontade de se vingar acabei levando um belo curativo no joelho, já que o cara se desviou e quem se deu mal, mais uma vez, acabou sendo eu. Já era de se esperar.
Mas eu não acho ruim o fato de ter sido acertado por você. Aliás, se eu pudesse escolher qualquer pessoa para me acertar a bola, eu escolheria você.
Enfim, você me levou à enfermaria. Eu juro, eu queria te matar. Além da vergonha que passei caindo duas vezes, ainda sai com um joelho ralado. Acho que aqui eu devo me desculpar pela segunda vez pela minha grosseria na enfermaria. Como já disse, estava irritado. Eu estava, você não. E foi aí que tudo começou.
Depois de longas conversas, nossa amizade foi fluindo. Não te contei nada sobre meus problemas naquela época porque realmente fiquei com medo de que saísse correndo ou nunca mais falasse comigo, você era a única pessoa que eu tinha. Ainda bem que mesmo depois que contei você permaneceu do meu lado, sorrindo para mim e me fazendo a pessoa mais feliz do mundo.
Até que um dia a escola resolveu dar uma festa. Enquanto todos se divertiam lá, nós dois fomos para o cinema. Me lembro de cada susto, cada vez que agarrei seu braço e quis me encolher perto de você por causa do medo daquele filme que eu nunca mais quis assistir de novo. Depois, você me levou à praia, e lá foi onde tudo se tornou mais sério. Você me beijou, e era como se todo meu mundo parasse. Eu nunca amei ninguém como amei você, Josh, acredite em mim. No momento em que disse que gostava de mim, eu senti como se minha sorte estivesse mudando. Eu senti que finalmente poderia construir um futuro do lado de alguém, e acho que sentiu isso também.
Não vou mentir, eu tinha feito planos para nós. Poderíamos nos casar, não é mesmo? Poderíamos ter tido nossa própria casa, então construiríamos nossa própria família. Adotaríamos duas crianças, uma garota e um garoto. Sei que nunca fui uma pessoa muito chegada em crianças, mas eu estava disposto a ser um pai se você estivesse comigo. Também poderíamos ter um gato Sphynx, por que não? Sempre achei engraçadinha essa raça. Eu nunca soube se você preferia gatos ou cachorros, mas se gostasse de cães, poderíamos ter um também. Seríamos a família perfeita. Seríamos.
Mas eu sou egoísta. Eu sempre fui. Eu só penso em mim mesmo e acabo me esquecendo que posso magoar os outros.
A vida é um pouco traiçoeira. Quando você pensa que está tudo bem, que tudo está perfeito, você acaba abaixando a guarda e ela te ataca. Isso acontece com todo mundo, já estamos programados a cair. Óbvio que comigo não iria ser diferente. O problema é que eu já estou cansado de não conseguir me levantar.
Cresci dentro de uma família que não gostava de mim. Eu era um garoto problemático, talvez ainda seja, eu não sei. Fui internado em hospitais para pessoas com problemas, fui mandado para psicólogos e psiquiatras. Uma parte disso, é claro, foi sim por causa dos meus transtornos. Mas eu não fui em todos esses médicos só por causa disso.Minha mãe, ela que queria isso. Ela me queria longe. Ela queria que eu fosse curado, mas não dos meus transtornos, e sim me curar do que eu era. Ela não aceitava ter um filho gay, onde já se viu, a importante senhora Laurent com um filho que é uma aberração? Você sabe o que é, todo dia, ter que ouvir da sua mãe que queria que você tivesse morrido no lugar do seu irmão? Isso dói, Josh. Eu tentei, eu juro que tentei fazer de tudo para que isso parasse de me atingir, mas simplesmente não consigo.
Creio que tenha notado que nesses últimos dias eu acabei me tornando mais afastado de você, mais frio. Não pense que o problema era com você, nunca. Eu apenas... comecei a enxergar as coisas de outra maneira. Não sei quando isso realmente aconteceu, quando eu comecei a querer viver minha vida sozinho. Eu apenas me sentia bem com a solidão. Talvez minha depressão estivesse voltando, talvez fosse meu transtorno que estava piorando. De qualquer jeito, eu não me importava mais com nada. Eu comecei a ficar cada vez mais sozinho e na minha cabeça, comecei a pensar nas minhas atitudes e nas atitudes das pessoas. Eu chorava toda noite, não me alimentava mais direito. Fora de casa, falar que estava bem já era um costume, eu era tão profissional em dar um sorriso falso que todos acreditavam, mas não era verdade. Por dentro, estava clamando por socorro, implorando que alguém me salvasse, me salvasse de mim mesmo, mas ainda sim preferia guardar isso para mim. A verdade é que todos nós iremos morrer sozinhos. Por isso, eu preferi começar a me preparar para esta logo cedo. Suicídio muitas vezes pode não ser a resposta, mas para mim era a única saída.
Eu realmente não sei qual será sua reação ao ser avisado que fui encontrado morto dentro de casa, ou quando estiver lendo esta carta, mas peço que por favor, não fique triste. Nem mesmo agora, que estou sentado nessa mesa, escrevendo esta carta nos meus últimos minutos de vida, estou triste. Sabe por que? Porque eu estou me lembrando do seu sorriso que sempre fez meus dias nublados se tornarem ensolarados. Você sempre foi a razão de ter forças para seguir em frente, mas agora eu vejo que realmente estou no meu limite.
Isto ficou longo, eu sei. Mas espero que chegue até aqui para poder saber que eu sempre, sempre te amei, e não é porque me matei que deixei de sentir algo por você. Espero que pense o mesmo de mim.
Isto não é uma carta de término, é uma carta de adeus.

Com amor,
Chris J. Laurent.

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364 Re: *** RPG ***** em Qua Dez 09, 2015 4:03 pm



Joshua G. Ignition – 19 anos

Eu estava estudando quando recebi uma mensagem do Chris. O conteúdo dela me deixou preocupado, eu senti um aperto no coração, como se algo ruim estivesse acontecendo ou ainda fosse acontecer. Eu não sei o que é isso, mas com certeza não é nada bom...
Eu também te amo, muito... Está tudo bem? – escrevi e enviei para ele, mas minha agonia apenas aumentou ao passar alguns minutos e não receber nenhuma resposta. Agora eu estou realmente preocupado. – Merda... – me levantei rápido da cadeira e corri para fora de casa, sem ter tempo para me despedir da Bea. Vejo ela quando voltar para casa, pensei.
Entrei no carro e dirigi o mais rápido que pude para a casa do Chris, estacionando em qualquer lugar de qualquer jeito. Sai correndo para a porta e toquei a campainha sem parar, eu não sei o que é isso, mas eu sinto que não posso mais desperdiçar muito tempo, ele não está bem, eu sinto isso.
Mal liguei para a cara da mãe dele quando me atendeu ou as porcarias que ela tentou me dizer, apenas a empurrei e corri para o quarto do meu namorado. A porta estava trancada, mas eu arrombei. Não tinha ninguém no quarto, mas mesmo assim continuei preocupado. Fiquei parado no quarto até ouvir um barulho de gotas caindo no chão. Neste momento eu dei um sorriso, que susto, ele está apenas tomando banho, pensei enquanto ia até a porta, um pouco mais aliviado.
– Hey, você me deixou preo- – arregalei os olhos quando abri a porta. – CHRIS! – corri até a banheira já com os olhos cheio de lágrimas. – Chris, por favor... Chris... Chris, não me deixe... – falei com a voz trêmula, já chorando. Abracei seu corpo gelado e melado de sangue enquanto meus braços tremiam. Por quê? Era tudo que eu conseguia me perguntar. Eu deveria ter notado que algo não estava certo, eu deveria ter ficado ao lado dele.
Sem eu perceber, um papel voou para o meu lado, e apenas vi isso quando desviei meu olhar por curtos segundos. Eu não teria ligado para aquele papel se não tivesse visto um “Hey, Josh” no início. Não... Peguei o papel ainda com as mãos molhadas e comecei a ler o que havia escrito.
...
Agora meu rosto está vermelho do tanto que eu estou chorando, e mal consigo segurar o papel de tanto que estou tremendo. Essa carta, ela...Merda, merda! Eu deveria ter notado isso, eu deveria ter prestado atenção. Agora ele se foi e... Olhei mais uma vez para o corpo do meu namorado na banheira... Ele está tão branco, tão...
Eu não vou viver desse jeito.
É isso, eu vou me juntar à ele. Se o que dizem é verdade, que há vida após a morte, eu quero testar isso. Mesmo se não for verdade, não vou querer viver em um mundo em que não exista o Chris. Simplesmente não é meu mundo, não há alegria, não há vida.
Me levantei, ainda trêmulo, sem nenhuma emoção no rosto, e andei até os armários do banheiro, abrindo todos à procura de algo que pudesse tirar a minha vida, até que... Oh...
Uma arma. Tem uma arma no banheiro do meu namorado e eu nunca soube disso... Mas, tanto faz, agora tudo acabou, mesmo. Eu não vou mais reclamar de nada, não vou mais questionar nada, apenas vou...
Apontei a arma para a minha cabeça e carreguei-a.
Bem, adeus.
Bastou apenas um tiro e meu corpo já estava no chão, sem vida.

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